Fernanda Sueko Ogawa

Entrevista com a Bióloga Fernanda Sueko Ogawa

Categoria: Social Sustentabilidade

por Isabelli Goes e Matheus Grael

O Kara do Koelle, em parceria com o projeto Koelle Sustentável, convida Fernanda Sueko Ogawa, que é formanda em Biologia na Unesp de Rio Claro e mestre em Educação Ambiental, para uma entrevista com ênfase ao meio ambiente. Segue a entrevista com Fernanda: 

Na sua visão, o que é educação ambiental?

Vivemos hoje, diante de problemas socioambientais resultantes da relação estabelecida entre nós, seres humanos organizados em sociedade, e a Natureza. Nesse sentido, apesar de existirem diversas concepções de Educação Ambiental, a partir das minhas experiências, principalmente de pesquisa, entendo que a Educação Ambiental (EA) seja um caminho para discussão e problematização da temática ambiental no processo educativo, seja ele formal ou informal. A EA é uma das possibilidades de repensarmos e desenvolvermos ações que envolvam essa relação entre sociedade-natureza, que torna a natureza objeto para usufruto dos seres humanos.

O que te motivou a seguir sua graduação nessa área?

Escolhi o curso de Ciências Biológicas pelo interesse em questões que envolvessem o meio ambiente de maneira geral. Foi durante o final da graduação e mais especificamente na pós-graduação em Educação, na linha de Educação Ambiental, que passei a entender que as nossas escolhas e posicionamentos diante dos problemas socioambientais, são políticos e precisam ser discutidos e repensados. Nós ocupamos espaços e a Educação foi a minha escolha de luta e esperança em um caminho de mudança.

Como você observa a educação ambiental, hoje, no Brasil?

Apesar das práticas de EA serem bastante comuns no Brasil, escolas e outros espaços educativos, é importante considerarmos que a intencionalidade sobre as quais elas são construídas são muito diversas. Muitas vezes, observamos o desenvolvimento de práticas de EA que buscam somente a resolução de problemas ambientais, sem um questionamento das suas causas, que incluem repensarmos o estilo de vida que adotamos e o quanto isto afeta a relação com o meio ambiente. 

É importante levarmos em conta que, as ações pontuais de mudança de comportamento frente ao meio ambiente, são importantes, mas não bastam. Nesse sentido, enfatizo a necessidade da EA, no atual momento, como forma de resistência frente a ações de destruição do meio ambiente. 

O que te motiva a buscar tais mudanças?

Acreditar que nós somos capazes de nos relacionarmos com as pessoas, as coisas e a natureza de forma diferente da que vemos hoje. Bem como acreditar que podemos promover mudanças significativas no que diz respeito às questões sociais e ambientais, a partir da busca por conhecimento e participação política. 

Quais ações podemos buscar em nosso dia-a-dia para sermos mais ecológicos?

Existem algumas possibilidades. Dentre elas, repensarmos os nossos hábitos de consumo, buscando conhecimento acerca do entendimento da cadeia de produção dos produtos utilizados no nosso dia-a-dia. Esse movimento inclui entendermos que a nossas escolhas afetam a vida de outras pessoas, envolvidas nessa produção, e o meio ambiente.

Quais são suas expectativas para o futuro do nosso planeta?

Acredito que, apesar dos problemas socioambientais estarem em ampla divulgação já a algum tempo, estamos vivendo um momento da história em que os interesses econômicos estão supervalorizados em detrimento dos ambientais e até mesmo humanos. Contudo, acredito na potencialidade da Educação e mais especificamente da EA, como um dos caminhos para deter esses processos de destruição do meio ambiente.

Quais mudanças a educação ambiental busca trazer a sociedade?

Como dito anteriormente, no meu entendimento, a EA é uma possibilidade de repensarmos a forma como nos relacionamos com a natureza, ou seja, é uma possibilidade de problematização da visão antropocêntrica, que vê a natureza como objeto a ser dominado pelo homem. 

Como é ser um profissional de sua área?

Enquanto pesquisadora da área de Educação, na linha de Educação Ambiental, entendo que ocupo uma posição de resistência e responsabilidade frente as questões socioambientais e políticas. Penso que a minha atuação se dê por meio dos meus posicionamentos políticos no espaço da universidade, no grupo de pesquisa “A temática ambiental e o processo educativo” que participo e mais especificamente por meio da minha pesquisa de mestrado. No atual cenário brasileiro, busco enfatizar a importância da educação pública, das pesquisas desenvolvidas nas universidades públicas e da pesquisa em Educação.  

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