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Ex-aluno é prata nos Jogos Pan-Americanos

Categoria: Esporte

O ex-aluno Rafael Losano, que se formou no Ensino Médio no Colégio Koelle, se mudou para a Inglaterra para se dedicar ao hipismo. Rafael, nos Jogos Pan-Americanos, que foram disputado em Lima – Peru, conquistou a medalha de prata por equipe e sexto lugar no individual no hipismo CCE.

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Perguntas por Gabriela Imamura

  • Como surgiu o interesse pelo Hipismo e a importância do esporte na sua vida?

Ainda pequeno, fui convidado por um amigo para conhecer e fazer duas aulas experimentais no Clube de Cavaleiros, localizado no Horto Florestal, em Rio Claro. Experimentei, gostei e não parei mais.

Hoje o esporte é minha profissão. Sou cavaleiro profissional, trabalho cavalos para diversos proprietários, preparando-os para as mais diversas provas de hipismo; dou aula de hipismo e sou atleta de alto rendimento.

 

  • Em que circunstâncias você decidiu morar na Inglaterra e se dedicar totalmente a esse esporte?

Em 2014, com 16 anos, e cursando o último ano do Ensino Médio no Koelle, eu já era bicampeão brasileiro “Young riders” de CCE (categoria que contempla todos os cavaleiros até 21 anos). Em outubro daquele ano, participei de uma prova internacional deste esporte, no Regimento de Cavalaria em Pirassununga. Lá estavam os melhores cavaleiros adultos do Brasil, acompanhados por Mark Todd (bicampeão mundial e olímpico da categoria), renomado cavaleiro que havia sido contratado como técnico do Brasil para as Olimpíadas, e observava os atletas para a convocação.
Eu ganhei a prova, e isso rendeu-me o convite para estagiar com ele, em seu haras na Inglaterra. Terminei o 3º ano, e no início de 2015, com 17 anos, parti para lá, ainda pensando em conseguir uma vaga na Olimpíada do Brasil. Lá percebi que eu e meu cavalo, tínhamos “muito arroz com feijão para comer ainda”.

Amo o CCE (concurso completo de equitação) e os melhores do mundo estão na Inglaterra. Então percebi que a única chance de tornar-me um deles era trabalhando duro lá mesmo.

 

  • Como é a convivência com seus colegas de equipe?

Hoje, sou o primeiro cavaleiro do Mark Todd Eventing (time Mark Todd), um dos mais respeitados do mundo, e meu relacionamento com os profissionais que lá trabalham é muito bom. Somos todos muito competitivos, buscamos a perfeição, as vitórias, e quando todo mundo trabalha junto, para um mesmo objetivo, não há conflito.

Na seleção brasileira, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, não foi diferente. Formamos realmente um time. Eu era, de longe, o mais jovem e todos procuraram me dar tranquilidade para que eu pudesse render o melhor para a equipe.

A seleção era formada por 4 cavaleiros, e os 3 melhores resultados formam a nota da equipe. Após o acidente sofrido pelo cavaleiro Ruy Leme da Fonseca, o primeiro cavaleiro do Brasil a partir para o cross, forçosamente utilizamos o nosso descarte, e a partir daí, não podíamos errar mais, pois uma nova eliminação desclassificaria a equipe. Por outro lado, não tínhamos como ir devagar ou apenas ir “cuidando” para finalizarmos a prova, pois somente as duas primeiras equipes classificadas conseguiriam o índice para as Olimpíadas de Tóquio. Então foi uma pressão terrível, a torcida era imensa para cada um de nós que partia para o cross. Isso uniu ainda mais nossa equipe, e o resultado veio: prata no PAN e vaga para as Olimpíadas 2020.

 

  • Como foi a sua adaptação no exterior?

Adaptei-me muito bem. Trabalho duro e o inglês reconhece quem trabalha assim; meus resultados são festejados pela minha equipe e por meus amigos, pois todos sabem o quão difícil foi chegar até este estágio.
Acostumei com o frio, com o respeito às regras e aos competidores e sou respeitado por isso. Fiz bons amigos e tenho uma namorada presente no meu dia a dia. Isso ajuda a estar longe de casa e do amor da família.

 

  • Como o hipismo poderia ser mais valorizado no Brasil?

O esporte traz saúde, paz de espírito, tira os jovens das ruas. Mas sabemos das limitações financeiras existentes e não reclamamos, vamos em frente.
Tudo está muito longe de estar bom. A maioria das escolas sequer tem uma quadra, onde só precisaria de um pouco de espaço e cores de tintas diferentes para marcá-la.
Acho até que a questão não é “valorização”; minha medalha no PAN rendeu-me inúmeras felicitações, convites, entrevistas; o que falta mesmo é o dinheiro para fazer o esporte.

 

  • Você tem algum plano de voltar para o Brasil?

Tenho inúmeros planos, inúmeros sonhos, mas meu objetivo é ser um dos melhores cavaleiros do mundo, e isso só será possível se eu permanecer na Inglaterra. Volto ao Brasil frequentemente para recarregar minhas energias, ver meus pais e irmã, meus avós, tios, primos e alguns grandes amigos, o que é fundamental para mim, mas voltar a morar no Brasil ainda é um sonho distante.

 

  • Com qual modalidade de hipismo você se identifica mais? 

Sou atleta de CCE (concurso completo de equitação), lá fora chamado de eventing. Modalidade composta por adestramento, salto e cross, algo similar a um triátlon, para facilitar a informação.
Já tive convites para mudar para o salto puro, mas ainda tenho muito a buscar no CCE.

 

  • Qual é o seu maior desafio em relação ao esporte?

O primeiro é encontrar um cavalo que seja capaz de fazer as provas de CCE 4* (maiores provas deste esporte). O esforço realizado durante as provas é gigante, e é muito difícil encontrar um animal que consiga chegar nesse nível do esporte sem lesão. E depois disso, o desafio é bater os grandes, ser campeão olímpico, campeão do mundo.

 

  • Como é o sentimento de participar dos jogos Pan-Americanos representando o Brasil?

A maior emoção que já senti na minha vida. Uma enorme felicidade de representar o Brasil e a satisfação de dar essa felicidade aos meus pais por tudo que fizeram por mim. O sentimento de dever cumprido, de que tudo é possível quando se busca com trabalho e correção.

 

Muito obrigado pelo convite. Respondo estas perguntas na Irlanda, onde acabei de chegar para uma prova, após 14 horas de estrada dentro de um caminhão.
De novo, muito obrigado pela oportunidade e um grande abraço a todos do Koelle! Espero sempre mandar boas novas.

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