Crônica: A redoma por Victor Martins

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Victor de Souza Martins

Estamos a cada dia que passa nos fechando mais; atualmente a situação anda tão assombrosa que cada um partiu para a decisão radical de criar sua redoma de vidro exclusiva. Parece até que cansamos das outras pessoas, devido à dificuldade que temos em lidar com problemas que não sejam relativos a nós e nossos egos. Em um mundo umbicêntrico – aquele que se move ao redor dos umbigos – proponho um olhar além.

Me questiono: por que temos tanta dificuldade de nos relacionar, sem a intermediação de uma tela? Tenho a sensação de que quanto mais distantes do outro ficamos, mais nos tornamos ansiosos, intolerantes, nos esquecendo do que é o calor humano. Minha geração foi e é treinada para não suportar o ócio; ficamos entediados com facilidade, e aí a angústia bate forte à porta.

Não vamos nos culpar por essa fase que nos tira dos eixos, somos fruto de uma cultura tecnológica massificadora. Calma, não se aflija, em algum momento aprenderemos a tirar proveito dessa situação de desconforto. A tecnologia se tornará um recurso criativo e não uma fonte de dependência, uma espécie de muleta.

Quando viciamos nossas vidas na agilidade, na pressa vertiginosa, ficamos cegos, anestesiados, não vemos mais a beleza a nossa volta. O vício é uma prisão sem fronteiras, nos impede de criar, de olhar para o próximo, e, principalmente, de olhar para nós mesmos e nossos sentimentos.

Notas do autor: é engraçado pensar na capacidade de dependência do ser humano, nos prendemos até a coisas inanimadas, sem poder de persuasão. Parece até que buscamos cercas para nossa existência, como rota de escape para não encarar a dura realidade.

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